Quando a bola rola, dá saudade de Cilinho

Poucos treinadores herdaram a visão tática do saudoso Cilinho. Ninguém enxergava tão bem as peças como o saudoso Otacílio Pires de Camargo.

Por Campinas passaram treinadores com visão de águia como Dino Sani, Evaristo de Macedo e Jair Picerni. O melhor era Cilinho, o Mestre

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Cilinho: um mestre

Campinas, SP, 17 (AFI) – Cilinho faz falta. Enquanto repórter esportivo de rádio, nos anos 70 e 80, ora acompanhava os jogos atrás das metas, ora no centro do gramado conferindo como a ‘treinadorzada’ movia as peças do tabuleiro.

De Campinas, ninguém enxergava tão bem as peças como o saudoso Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho.

Por aqui também passaram treinadores com visão de águia como Dino Sani, Evaristo de Macedo e Jair Picerni, principalmente nas mexidas pra mudança de cenário.

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No jogo do Guarani contra o Vila Nova, terça-feira em Campinas, bastariam cinco minutos pra que alguém com a visão de Cilinho detectasse o ponto vulnerável do time goiano, pelo lado esquerdo de sua defesa.

Exemplo disso foi o início da jogada que originou o primeiro gol bugrino, convertido pelo meia Giovanni Augusto, com a persistência do centroavante Lucão.

Na sequência da partida, mesmo com natural retração do time bugrino, é fato que o confuso atacante de beirada Yago levava vantagem até com facilidade no duelo com o lateral-esquerdo Bruno Collaço, do Vila Nova.

Difícil imaginar a continuidade das jogadas através do atacante bugrino, ora com tentativa de um drible a mais – e desnecessário -, ora em cruzamentos sem consistência, que resultam em jogada perdida.

DANIEL PAULISTA

Partindo-se do pressuposto que treinador conheça em detalhes o time adversário, Daniel Paulista deveria saber que o titular da lateral-esquerda do Vila Nova é Willian Formiga, que tem desfalcado a equipe por lesão.

Na prática, Daniel Paulista não conseguiu antever as limitações de Collaço, e mesmo quando a bola rolou ficou ‘boiando’ no quadrilátero que lhe é reservado, no gramado do Estádio Brinco de Ouro.

Fosse um profissional com o perfil de Cilinho no banco do Guarani, certamente concentraria jogadas pelo lado direito do ataque, com mais jogadores por ali, a exemplo de que se viu no segundo tempo após entrada de Júlio César.

Se Collaço tem deficiências na marcação, o volante Arthur Rezende nunca foi referência de cobertura pelo lado esquerdo e o quarto-zagueiro Rafael Donato é lento, o ‘caminhos das índias’ seria por ali, através de um treinador com visão privilegiada de bola rolando.

ESTUDIOSOS

É voz corrente que a nova geração de treinadores, tida como estudiosa, se aprofunda em conceitos no pré-jogo, para colocá-los em prática na competição. Todavia, nem sempre isso é suficiente pra que o profissional seja bem-sucedido.

O futebol jamais vai perder a essência dos estrategistas que enxergam o jogo da bola e detectam pontos vulneráveis no time adversário, para explorá-los.

Igualmente eles têm percepção de arapucas preparadas por adversários e sabem usar a fórmula de proteção.

No caso específico de Daniel Paulista, não se cobra que tenha visão privilegiada daquelas excelências do passado, mas exige-se, pelo menos, que escale o time corretamente.

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