Perfil
Edgard Soares é jornalista e publicitário. Aos 17 anos já fazia parte da famosa Equipe 1040 da Rádio e TV Tupi e repórter da Folha de São Paulo, onde chegou a Editor de Esportes da Folha da Tarde. Criou e apresentou o programa de tv, "Estação Futebol".

Em publicidade foi diretor de algumas das maiores agências de propaganda do país (Norton, Salles, Propeg) até montar a sua própria empresa, que atende os grandes incorporadores imobiliários do país há três décadas. Foi por três vezes vice-presidente do S.C. Corinthians Paulista e presidente do Esporte Clube Taubaté.

É o único ganhador do Prêmio Clio (o Oscar da propaganda mundial) com uma campanha imobiliária.
Fale comigo
+ Colunas
» Crônica Edgard Soares: Anauê, cronista esportivo!
 
» Edgard Soares: Tomás Lico podia dar uma de futurólogo!
 
» CAMPEÃO DE VERDADE
 
» Guardiola na Seleção Brasileira
 
» MMA nos Jogos Olímpicos
 
+ Colunistas
 
Coluna
Gesto de Erundina é um tapa na cara de falsos moralistas
Tão imoral como o pé de chinelo que atua há 20 anos na crônica
Publicado na terça-feira, 19 de junho de 2012

São Paulo, SP, 19 (AFI) - O Site é de futebol, mas não dá para ficar alheio ao que aconteceu nos últimos quatro dias na política paulista. Primeiro, o anúncio da ex-prefeita Luísa Erundina como vice na chapa de Fernando Hadad. No mesmo dia, a informação de que o PT tinha "conseguido" o apoio do PP, de Paulo Maluf.

Em seguida, as declarações de decepção de Erundina em face do acordo Lula/Maluf. Para completar o quadro dantesto, a foto estarrecedora nos jardins da casa da rua Costa Rica, a mansão de Maluf. A presença de Lula posando de mãos dadas com o ex-governador e ex-prefeito que ele tanto criticou. E vice-versa. Na história do relacionamento dos dois, o mínimo que um falou do outro é que o antagonista não era honesto.

Ato contínuo, a breve indecisão de Erundina diante da aliança que enterra qualquer resquício de princípio dos dois personagens principais desta história.

E, finalmente, a tomada de posição final: Erundina abandonando a chapa que comporia com Hadad. Na sua explicação, o óbvio:

"Não vale tudo para chegar ao poder".

Infelizmente, Erundina é uma exceção na política e, eu diria, na sociedade. Aos 77 anos, a Tia, como é chamada carinhosamente pelos amigos e ex-colaboradores, mantém a postura ética e ardoroso respeito a seu passado de lutas e de independência.

Quanta diferença do pé de chinelo que atua na crônica esportiva e que há 20 anos já apoiava Maluf, na base do vale tudo para chegar ao poder. Despudorado, até manifesto e artigo para jornal assinou tentando explicar o inexplicável. Inexplicável para as pessoas de bem, não aos que agem como ele.

A história do Manifesto e do vergonhoso artigo no jornal voltou à internet nesta semana. O malfeitor das palavras, o marginal dos comentários hipócritas, o meliante que a vida inteira só se aproveitou do futebol, fingindo o contrário, o moralista de rabo sujo, na verdade, não sabe o que fazer até hoje para explicar seu engajamento na campanha para o "rouba mas faz" nas eleições de 1992. Seu "embromation" ao tocar no assunto faz inveja a Rolando Lero, da antiga escolinha do Professor Raimundo.

É melhor que desista de explicar. Há muito (uns dez anos), este Site, munido de coragem, dados e fatos mostrou a todos quem ele era. Sua máscara caiu. O mocinho era bandido. Um precursor autêntico de Demóstenes Torres.

Erundina, que nesta mesma eleição apoiava Eduardo Suplicy, ao contrário, tem o que gente como ele jamais terá: dignidade.

O que resta a este pobre coitado é vociferar escrevendo. E, falando, continuar a salivar e atropelar as palavras ao microfone, numa demonstração de seu descontrole emocional, ao não conseguir articular verbalmente o próprio raciocínio. E produzir um certo enjôo a quem ouve. Deve mesmo ser duro ser descoberto e ver revelado em público as próprias mazelas, armações e tramas políticas de baixo nível.

O ato de Erundina ao se afastar da campanha como candidata, entre tantos outros ensinamentos, nos faz ter certeza de que acertamos plenamente lá atrás ao denunciar o descalabro de o jornalismo possuir um santo do pau oco. Um santo do pau oco, aliás, ateu. Que faz acordo até com o capeta, se necessário.

 
© Copyright 1999-20102 Futebol Interior - Todos os direitos reservados