Campinas, SP, 16 (AFI) - Travestido de torcedor, o presidente Márcio Della Volpe foi o primeiro a culpar o técnico Guto Ferreira pela eliminação no Campeonato Paulista, após a goleada sofrida para o Corinthians, por 4 a 0. Era tudo que alguns “homens do futebol” da Macaca queriam para detonar uma campanha de fritura contra o técnico, que curiosamente, tem o maior aproveitamento na história do clube: 57%.

Aproveitando a "deixa" do cartola-torcedor, Ocimar Bolicenho e Marcus Vinícius, deitaram e rolaram em cima de Guto Ferreira. Ele foi atirado aos leões: às críticas da imprensa e da torcida. Na ocasião, Guto só não foi demitido porque bateu o pé e exigiu uma multa de R$ 500 mil.
E os “dirigentes” da Ponte só não deram o pé no traseiro do técnico porque quem “põe o pau na mesa” na Ponte é Sérgio Carnielli, presidente afastado e que agora se encaixa bem no rótulo de presidente de honra.
Carnielli fazia uma gostosa pescaria no Mato Grosso, mas quando voltou teria sido incisivo: "Se precisar pagar a multa, eu pago". Aliás, nunca ele negou apoio financeiro ao clube.

Manobras sujas
Mas as manobras nos bastidores continuavam remando contra Guto. Bolicenho e companhia saíram à caça de um treinador, tendo na cabeça o restabelecimento da “República do Paraná”. Poderia até emplacar a volta de Gilson Kleina, que balançou várias vezes no Palmeiras. Mas o sonho seria mesmo Paulo Bonamigo, que está no mundo árabe.
No futebol, quem indica o primeiro nome é o quem coloca o dinheiro, por isso os “comandados” foram atrás de Silas, um sonho antigo de Carnielli. Os homens de futebol, porém, sabiam que Silas estava empregado no Náutico e não sairia de lá. Que sorte! Descarte rápido.
Quem sobrou? Paulo Bonamigo. Só que ele precisa se desvencilhar do contrato com os árabes, o que deve demorar uns dois meses. Isso também caiu como uma luva, porque serão cinco jogos no Brasileirão e depois a competição vai sofrer uma paralisação por conta da Copa das Confederações.
Guto, simplesmente insuperável
Enquanto tudo era tramado contra o técnico Guto Ferreira, dentro de campo, ele simplesmente se manteve implacável. Após a eliminação no Paulistão, chegou à decisão do Torneio do Interior, diante do Panepolense.

Ao mesmo tempo, deu um show na Copa do Brasil, sendo o único clube que superou as duas primeiras fase só com jogos de ida. Passou por Itabaina-SE, por 3 a 0, e depois pelo Bragantino, por 3 a 1.
Os seus números são impressionantes. Contando a complicada transição da saída de Gilson Kleina para o Palmeiras, durante o Brasileirão de 2012, Guto tem computado o aproveitamento de 68%. Incluindo o Paulistão, onde perdeu apenas duas vezes e ficou 16 jogos invicto, quebrando uma marca de três décadas.
Prestes a ser bicampeão do Torneio do Interior – ano passado foi campeão pelo Mogi Mirim – Guto Ferreira começou a semana com o pescoço na gilhotina. Mas a incompetência dos dirigentes em arrumar um substituto à altura para Ferreira, derrubou todas as armações contra ele.
Daí ficou aquela cena patética do presidente-torcedor, Márcio Della Volpe, vindo a público, nesta quinta-feira, para confirmar o técnico para as cinco primeiras rodadas do Brasileirão.